Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Duas culturas empresariais: a predadora e a personalizada

Domingo, 23.07.17

 

  

Há empresas que aparecem no mercado de forma agressiva, com um dinamismo obsessivo e predador, que invadem o espaço (produtos e serviços) de outras, sem cerimónia, sem respeito pelos outros agentes, pelos colaboradores e pelos consumidores.

Ávidas de lucro rápido, organizam toda a sua máquina nesse sentido. A comunicação com o consumidor reduz-se ao convite: entra, olha à vontade, só nos interessa o teu dinheiro.

Com os sites, é a mesma coisa. São construídos para adquirir mais um produto e aderir a mais um serviço. A relação é impessoal, os contactos são para call centers, não se cria qualquer relação de confiança.

 

Há outra cultura empresarial, com origens muito antigas no mercado tradicional. Esta cultura baseia-se na afirmação da própria marca, na autenticidade e na qualidade. Existe um compromisso e responsabilidade e cria-se uma relação de confiança com o consumidor.

A comunicação com o potencial consumidor é dar-lhe a informação que ele pretende.

Os sites revelam a missão da marca, toda a informação essencial sobre produtos e serviços, os colaboradores e a sua função, é tudo personalizado.

 

Estas culturas tão diversas revelam-se na sua estratégia publicitária:

- na predadora: estamos prestes a iniciar a leitura de um artigo e surge-lhe um carro último modelo à frente dos olhos!, um obstáculo. Procuramos o botão de fechar o painel, mas há painéis que só fecham depois de alguns segundos, obrigando-nos a olhar para o carro. E se por um azar está uma pessoa a deslizar o artigo e carrega, por engano, ao lado da página, mais uma publicidade de um produto ou serviço que não lhe interessa. Outro obstáculo.

Há também a publicidade inteligente, baseada nas pesquisas efectuadas. Aparece mais discretamente, como um "olha para mim queres saber mais?" É mais aceitável, mas perturbador. É como uma impertinência de um motor de busca a intrometer-se na nossa vida. Uma pequena amostra do que nos pode ainda aparecer à frente dos olhos com a anunciada inteligência artificial;

- na personalizada: as pessoas estão em primeiro lugar, o consumidor e o colaborador. Isto irá reflectir-se na apresentação do produto e do serviço. Tudo faz parte da própria marca. A publicidade aproxima-se mais da informação detalhada do que de um anúncio. Os sites são construídos de forma a facilitar a informação pretendida, os locais, os contactos, tudo arrumado e especificado.

 

Estas duas culturas são visíveis mesmo em startups tecnológicas de produtos de última geração. A sofisticação científica ou tecnológica não esconde a cultura de base.

Vemo-las também no desenho do futuro próximo, a predadora fala-nos de automação aplicada a tudo, de robots a substituir pessoas no trabalho (e o pior é quando constroem robots em forma humana, o que revela um certo infantilismo que é pior do que simples imaturidade); a personalizada fala-nos de comunicação e proximidade, de colaboração, de relação personalizada, de comunidades, de confiança.

Quanto à dimensão, a predadora não tem limites, engole tudo à volta até monopolizar o mercado; a personalizada procura o equilíbrio e um crescimento sustentável.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:52

Autenticidade, simplicidade e amabilidade, o melhor que nos caracteriza

Sábado, 20.05.17

 

E o nosso Millennial musical da área do jazz foi reconhecido como um impulsionador e revitalizador da cultura portuguesa, assim como a irmã compositora, na divulgação da nossa música, da nossa língua e na nossa expressão e interacção.

Os dois irmãos e a RTP fizeram mais pela cultura este ano do que muitos produtores e agentes culturais, porque investiram na qualidade e profissionalismo, sem fogo de artifício. Valorizaram a autenticidade, a simplicidade, a amabilidade, o melhor que nos caracteriza. Identifiquei-me com esta forma de viver a música, com inteligência, respeito, alegria, afecto, emoção. E sabe bem ver, pela primeira vez, ser reconhecida essa forma de estar no mundo.    

  

Gostei de ver como, em apenas dois meses, o miúdo que desconhecíamos porque a rádio se tornou monocórdica e mimética, de colagens musicais próximas do plágio, abrindo-se raramente a novos músicos, já é europeu até à ásia central :), começa a ser sul-americano :) e esperem só os americanos ouvirem esta interpretação de Autumn in New York :)

 

 

 

Felizmente em Portugal começa a ultrapassar-se a ideia da cultura = arte só acessível a alguns, os cultos, os críticos, os entendidos, e sempre os mesmos :).

Mas ainda permanecem alguns equívocos, querem ver?

 

Alguns equívocos, em relação à cultura, que permanecem em Portugal:

 

- a cultura é tudo o que diz respeito à arte e às suas formas de expressão.

Na realidade, a cultura é muito mais ampla, é uma forma de olharmos para nós próprios, a nossa identidade, de olhar o outro, de olhar o mundo.

A forma como nos tratamos a nós próprios, como interagimos com os outros, como vivemos.

A cultura é também a forma como nos limitamos ou como nos animamos, como nos lamentamos ou dependemos de aprovação social ou como nos libertamos e autonomizamos.

 

- a cultura é aquele ministério que subsidia a actividade cultural e artística.

Para já, a arte não é para ser subsidiada, é para se investir nela. Subsidiar ou apoiar, sim, mas o acesso às actividades culturais e artísticas, não os agentes culturais.

O investimento nos agentes culturais faz-se hoje, e far-se-á cada vez mais no futuro, a partir de múltiplas fontes e múltiplas plataformas.

Já o acesso às actividades culturais, artísticas, tecnológicas e científicas, deve ser apoiado e garantido desde a introdução da criança à interacção social :)

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:55

A arte revela-nos a realidade

Quinta-feira, 03.11.16

 

A arte pode servir como propaganda do poder. Historicamente podemos constatá-lo na arte financiada pelos ricos e poderosos. Hoje ainda se mantém esta lógica, como se a arte vivesse de subsídios ou mecenato.

 

A arte hoje já não é a arte do objecto, já não é a arte enfiada em museus. A arte hoje saiu de um espaço-tempo limitado e libertou-se de uma etiqueta descritiva.

A arte é uma verdade universal, uma ideia, um desafio, acessível a todos. Podemos olhar para um desenho, um quadro, uma fotografia, ou ver um filme, ou ouvir uma peça musical, sem ir a um museu, a uma biblioteca, a um cinema ou a um concerto.

Mais, podemos produzir arte com novos instrumentos, nas paredes das cidades, nas ruínas de prédios desabitados, em espaços públicos.

A arte pode durar apenas uma noite, em lazer luminoso. Não deixar vestígios físicos, apenas impressões mentais e emocionais.

 

Uma arte esquecida, e agora reabilitada, é a arte popular, a arte que revela a cultura, as crenças e o modo de viver de populações, de comunidades.

Vemo-la, magnífica e exuberante, em capelas e igrejas. A complexidade do trabalho em pedra, da talha dourada, do mobiliário antigo. Sentimo-la nos temas musicais, nas vozes nasaladas, nos sons familiares do bombo, da flauta, do adufe, do cavaquinho.

 

E depois há a arte da consciência, a arte que intervém, que acorda, que abana, que mostra o que se passa por detrás da fachada, das palavras, do teatro político, em que o artista segue a sua própria consciência e preza a sua independência.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:22

O dossier Panamá

Segunda-feira, 04.04.16

 

Ora aqui está um belíssimo título para um livro ou um filme. Um trabalho de partilha de informação de jornalistas de investigação. Uma de muitas tentativas de divulgação do que se passa nos bastidores das finanças e das negociatas de quem não se quer sujeitar às regras da convivência justa, equilibrada e civilizada do comum dos mortais.


E quem encontramos lá? Algumas personagens não nos surpreendem, já contávamos com isso. Mas o primeiro-ministro da Islândia? De um país que acabou de atravessar uma das crises financeiras mais terríveis? E eu que pensava que as mulheres islandesas tinham tomado conta do poder para não deixar que cenas destas voltassem a acontecer...


O Messi? Admirado por tantos jovens de todo o mundo? Um símbolo do desporto? E logo quando o futebol ainda tem a mancha da corrupção agarrada à FIFA como pastilha elástica?


O mais interessante é constatar, quando se fala de offshores, que a cultura vigente ainda é aceitar a sua existência com naturalidade, como se fosse normal fugir ao fisco só porque se tem muito dinheiro. Tudo ao contrário, não acham? Mais aceitável seria perdoar uma pequena fuga ao fisco de quem tem pouco dinheiro... Só que para esses é a penhora.


Isto dos offshores já é uma grande rede de interesses, todos a retirar a sua parcela, bancos, empresas, advogados... A cultura vigente está tão enraizada que até gestores políticos propõem o perdão fiscal parcial e ainda se sentem gratos por esses montantes regressarem à legalidade.


E haverá ainda o argumento de que a finança poderá colapsar se se sujeitar às regras democráticas do equilíbrio de uma sociedade civilizada. De onde se poderá concluir que esta finança actual se baseia no desequilíbrio, na ausência de regras democráticas, e só funciona fora da lei.


E há outra questão muito actual que aqui surge como prioritária: a segurança. Os offshores são um óptimo esconderijo para financiar o terrorismo. 


A mudança necessária é cultural, mas tem de se começar por um lado, pelo trabalho jornalístico. 

 

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:19

Portugal e a sua vocação universal

Terça-feira, 09.02.16

Talvez porque tenhamos vindo de todo o lado, do norte, do sul, do oriente, trazemos connosco muitos povos e muitas culturas. Nada nem ninguém nos é estranho, encontramos logo um modo de comunicar. Isso verifica-se nos documentários sobre os nossos contingentes em missões de paz ou agora nos resgates marítimos de refugiados, e nos programas sobre os portugueses no mundo ou dos jovens que criam startups e aplicações. Movimentamos-nos no mundo com à vontade, partilhamos ideias e projectos, a nossa cultura universal é a mesma do séc. XXI.


Estamos, pois, bem posicionados para ajudar outras culturas mais fechadas a abrir as suas fronteiras mentais e a ver o grande plano onde tudo se movimenta e encontra o seu equilíbrio. A possibilidade de virmos a ter um português na ONU é, neste sentido, uma oportunidade única de colocarmos a nossa cultura universal ao serviço dos direitos humanos universais.


Que a nossa alma universal consiga, igualmente, criar dentro de portas esse movimento e equilíbrio que ajuda a criar no mundo. 

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:30

No reino da Dinamarca

Terça-feira, 26.01.16

As minhas viagens realizaram-se através dos filmes e dos livros. Digamos que da família sou a menos viajada. Construí uma imagem dos países e das regiões através do Atlas e dos seus escritores e realizadores.


É assim que conheço bem a geografia das montanhas e das planícies da América, a costa escarpada e a relva pontilhada de pedras da Irlanda, as árvores muito antigas em campos muito verdes da Inglaterra, as casas francesas com jardins onde há sempre uma mesa à espera da família e dos amigos, os palazzos italianos e as estradas ladeadas de ciprestes, os subúrbios das cidades e os pueblos de Espanha.


A geografia da alma também se revela através dos escritores e realizadores.

A Suécia, por exemplo, é para mim a Suécia de Ingmar Bergman: limpa, fria, minimalista, sóbria até nas emoções, mesmo que rodeada de flores no Verão. A beleza da sua alma está na revelação da verdade sem rodeios. E bastam duas ou três frases para dizer tudo. Ou apenas um gesto, ou uma expressão facial. Liv Ullmann é o seu rosto.

Mas a Dinamarca, a Dinamarca para mim é a Dinamarca de Hans Christian Andersen.

 

 

De que matéria é feito o primeiro - ministro desse reino da Dinamarca que propôs a lei da espoliação dos que fogem da guerra? Será que este exemplar é uma parte da geografia da alma da Dinamarca? É que não vi nenhum movimento de dinamarqueses revoltados com esta lei.


Espero que os refugiados consigam mudar a rota da sua travessia ao frio e à neve, que se consigam desviar desse reino onde já não há alma nem coração.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:39

"Life on Mars"

Segunda-feira, 22.02.10

 

Meus queridos amigos, não se pode voltar para trás. Simplesmente não se pode.

Até o protagonista de Life on Mars, que foi parar a 73 por engano, não se sente em casa. Desconfio que não é apenas por ter perdido tudo, a família, os amigos, o trabalho, o habitat. É uma diferença cultural imensa! De hábitos, de valores, de referências, de coordenadas.

Podemos até especular: ah, os loucos anos 20, os românticos anos 40, ou até ser mais ousados, o tempo dos salamaleques e dos duelos, porque não?

Mas hoje temos acesso a essas épocas, pelos livros e pelos filmes, sem os inconvenientes das suas enormes dificuldades.

Estou convicta que cada época exige as suas capacidades de sobrevivência e que se tivessemos o azar do protagonista de Life on Mars de irmos parar ainda mais longe, aos anos 20 ou 40, ou pior!, ao séc. XIX, não sobreviveríamos muito tempo. A nossa resistência de estufa, habituada a vacinas e comprimidos? Impossível mantermo-nos lá saudáveis por muito tempo.

 

Isto tudo para dizer o quê? Que a nível cultural, das referências e dos valores, mesmo os que não são assimilados por todos ou partilhados por todos, há já uma informação, um conjunto de factos, que foram interiorizados na memória colectiva. Factos que não se podem apagar simplesmente. É uma herança de um colectivo.

 

As excepções? As tribos isoladas de alguns pontos do globo, os Amish, os Mórmons, etc. O que implica necessariamente isolamento total ou quase total da contaminação cultural da sociedade, como está organizada.

Também incluiria aqui algumas populações de países mais pobres que, conforme Alvin Toffler previu, estão a ficar excluídas da informação global. E mesmo nos países com recursos, aumentarão essas franjas de excluídos, como ele previu.

 

Para o bem e para o mal, somos portadores de uma memória colectiva, de um conjunto de factos, de dados, de informação, a que já não podemos escapar ou negar. Herdámos esses manuais, esses dicionários, esses acontecimentos, essas alterações, a evolução tecnológica, científica, filosófica.

Voltar atrás é negar tudo isso. A nossa consciência colectiva já deu um salto, nem sei bem se será apenas um degrau ou dois, vejo-o mais como um salto sobre uma falha no caminho. Saltámos por cima de tanta coisa!, mesmo sobre valores éticos e morais que se julgaram intransponíveis.

Por outro lado, passámos a valorizar outros valores: a vida humana, por exemplo, adquiriu outro estatuto, embora ainda com imensas falhas. Na protecção das crianças e dos mais velhos, por exemplo, andámos mal, muito mal.

Mas na aceitação das diferenças de estilos de vida, vejam o enorme salto! As mulheres mais aguerridas pisaram o risco, nunca antes tolerado pelos homens, começaram a participar em áreas e a conquistar direitos. Este é aliás um dos pormenores culturais que mais choca o protagonista do Life on Mars e já se estava em 73!


 

2ª parte do post (ver Nota de esclarecimento):

A complexidade da natureza humana e a complexidade dos comportamentos, das opções de vida, não pode agora ser apagada da nossa memória colectiva, porque isso seria negar o avanço cultural, filosófico, científico. Mas pior!, seria negar a própria natureza humana!

O filme agora aí, Um Homem Singular, mostra isso, essa complexidade. Talvez daí o interesse dos espectadores: tem tido uma boa audiência. Essa curiosidade pode dever-se a Tom Ford, mas alguma coisa me diz que estamos ávidos de uma perspectiva, de uma compreensão, sobre a complexidade humana.

 

Nunca falámos colectivamente sobre isso, foi-nos imposto um modelo de vida, como se se tratasse de uma moda, a camada superficial do tema, a parte espectacular, confundindo público e privado, e ainda por cima uma lei fracturante, que nem sei se é a que melhor responde a direitos equivalentes à da maioria dos cidadãos e à forma como a maioria organiza a sua vida.

Mas agora responder a esse erro com outro erro, é que não me parece avisado e sensato. Trata-se de pessoas, das suas vidas, de naturezas e percursos. E trata-se de liberdade também. Já não podemos andar para trás. Nem seria desejável.

É por isso, a meu ver, que este filme Um Homem Singular, é um bom ponto de partida para uma análise e uma reflexão colectiva, calma e distanciada. Distinguindo os planos, destacando as prioridades, vantagens e desvantagens deste e daquele modelo.

Talvez até dê para, os que se organizam de forma diversa, com diferentes opções de vida e de organização familiar, verificarem se se revêem nas associações e organizações que os representam, ou mesmo na forma como os partidos pegaram (abusiva e oportunísticamente, a meu ver) nas suas pretensões, a forma como o fizeram, perfeitamente inábil. E recomecem do zero. Esta lei não lembra ao diabo, realmente, e poucos darão esse passo, o casamento. Muitos certamente desejariam outro tipo de contrato, equilibrado nos direitos e específico a cada situação.

 

Agora, não dar sequer ao outro o direito de existir apenas por ser diferente, é que me deixa perplexa. De certo modo já esperava reacções excessivas a propagandas que foram, também elas, excessivas, mas negar a existência do direito de existir aos homossexuais? Negar a homossexualidade?

Foi sempre a negar alguma parte da natureza humana, que surgiram as maiores opressões ditatoriais. Esta negação, esta agressividade a que pode chegar este debate, é também um sinal de alarme.

Numa democracia respeitam-se as diferenças e procura-se equilibrar direitos e deveres de todos os cidadãos. É também esse o significado da liberdade. E também foi esse o significado de estar no dia 11 em frente da AR.





Nota de esclarecimento a 20 de Outubro de 2013: Primeiro pensei simplesmente deletar as partes dos posts que já não correspondem à minha actual assimimilação-síntese cultural. Esta mudança afinal até pode corresponder apenas a um regresso à minha consciência vital inicial.

Depois ocorreu-me o seguinte: além de ser batota apagar o que nos deixa hoje perplexos, o quê?, já pensámos assim?, o quê?, porque não utilizar essa transição mental-cultural como um magnífico e útil exemplo de que estamos sempre a mudar, a evoluir, a expandir a consciência?

Portanto, caros Viajantes, a parte deste post após a referência ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, já não corresponde minimamente ao que hoje considero lógico-compreensível-viável-legítimo. E vou mais longe: é muito provável que nunca tenha sido uma questão essencial para mim mas apenas uma teimosia mental, um pormenor legislativo que não me pareceu lógico na altura.

Desde que me conheço que aceitei as pessoas incondicionalmente. Cresci rodeada de livros e filmes e isso marca uma pessoa. Penso que parte do choque cultural que senti quando saí dessa cápsula inicial familiar, e dos equívocos que sofri nas interacções sociais e que me tornaram mais tímida e ansiosa do que era inicialmente, se deveram precisamente a esse mundo que assimilara nos livros e filmes que me tinham alargado definitivamente as fronteiras culturais.

Por isso imaginem a minha perplexidade ao reler esta segunda parte do post que já nada me diz pessoalmente. Como perdi eu tempo com pormenores legislativos? Porque me envolvi em debates que hoje já não fazem qualquer sentido? Porque considerei que sabia o que era melhor para quem tentava encontrar uma nova forma de oficializar social e juridicamente uma família?

Mas a primeira parte do post aproveita-se, a meu ver, é uma ideia que me tem acompanhado quendo ouço falar em viagens no tempo ou em contactos com espécies de outros planetas. Isso sim, é que é um desafio mental que vale a pena.


   

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:42








comentários recentes



links

coisas à mão de semear

coisas prioritárias

coisas mesmo essenciais

outras coisas essenciais

coisas em viagem


subscrever feeds